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O ÚLTIMO DIA DO MUNDO

O ÚLTIMO DIA DO MUNDO

(Nicholas Shrady, Objetiva)

 

Em 1.º de novembro de 1755, por volta das nove e meia da manhã, em pleno Dia de Todos os Santos, um terremoto destruiu Lisboa.

O abalo não foi solitário: pelo menos outros dois grandes tremores vararam Lisboa nessa manhã.

Depois veio o incêndio: a cidade madeirada, as velas, o fogo...

A seguir, o tsunami cobriu a urbe: o abalo ocorreu no fundo do oceano, perto da cidade, que é banhada pelo Tejo.

Lisboa fora arrasada.

De três modos diferentes.

Aí surge Sebastião José de Carvalho Melo, o futuro Marquês de Pombal.

O déspota esclarecido que recomenda ao Rei D. José I "enterrar os mortos e alimentar os vivos".

Ele, apoiado pelo fraco monarca, que lhe delega a gestão do reino, lança-se ao trabalho de reconstruir a capital.

Antes, porém, terá de vencer o obscurantismo na cidade mais católica do mundo.

O duelo entre pregadores do Apocalipse e os racionalistas que pretendiam seguir adiante dá a tônica do livro.

Mas o livro não se resume a isso.

É também a história de como o episódio abalou a mentalidade európéia no Século XVIII, de como fomentou o Iluminismo.

É uma obra formidável, narrada em ritmo de romance, com farta contextualização de momentos importantes de Portugal, desde as suas origens até o dia em que Lisboa é reformulada.

Pombal é um personagem central da obra.

Mais até que o terremoto.

Mas, na verdade, quem mais aparece no texto é a força do tempo e da razão em um lugar de fé.

Um livro fora de série.

Já separado na pilha dos que devem ser relidos.

É isso.

 

 

 

 



Escrito por José Rollemberg às 09h49
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